segunda-feira, 11 de março de 2013

Essência da Teologia da Libertação foi defendida pelo papa

IRMÃO DE LEONARDO BOFF ELOGIA BENTO 16 E CRITICA MOVIMENTO QUE AJUDOU A FUNDAR; PARA ELE, TEOLOGIA DEGENEROU EM IDEOLOGIA 
 
Por Alexandre Gonçalves para Folha de São Paulo

Em maio de 1986, os irmãos Clodovis e Leonardo Boff publicaram uma carta aberta ao cardeal Joseph Ratzinger. O artigo analisava a instrução "Libertatis Conscientia", em que o futuro papa Bento 16 visava corrigir os supostos desvios da Teologia da Libertação na América Latina. Os religiosos brasileiros desaprovavam, com uma ponta de ironia e uma boa dose de audácia, a "linguagem com 30 anos de atraso" no texto.

Em 2007, o irmão mais novo de Leonardo Boff voltou à carga. Mas, dessa vez, o alvo foi a própria Teologia da Libertação -movimento do qual ele foi um dos principais teóricos e que defende a justiça social como compromisso cristão. Ele censurou a instrumentalização da fé pela política e enfureceu velhos colegas ao sugerir que teria sido melhor levar a sério a crítica de Ratzinger.

Em entrevista à Folha por telefone, frei Clodovis diz que Bento 16 defendeu o "projeto essencial" da Teologia da Libertação, mas o critica por superdimensionar a força do secularismo no mundo.



Folha - Bento 16 foi o grande inimigo da Teologia da Libertação?
Clodovis Boff - Isso é uma caricatura. Nos dois documentos que publicou, Ratzinger defendeu o projeto essencial da Teologia da Libertação: compromisso com os pobres como consequência da fé. Ao mesmo tempo, critica a influência marxista. Aliás, é uma das coisas que eu também critico.
No documento de 1986, ele aponta a primazia da libertação espiritual, perene, sobre a libertação social, que é histórica. As correntes hegemônicas da Teologia da Libertação preferiram não entender essa distinção. Isso fez com que, muitas vezes, a teologia degenerasse em ideologia.

E os processos inquisitoriais contra alguns teólogos?
Ele exprimia a essência da igreja, que não pode entrar em negociações quando se trata do núcleo da fé. A igreja não é como a sociedade civil, onde as pessoas podem falar o que bem entendem. Nós estamos vinculados a uma fé. Se alguém professa algo diferente dessa fé, está se autoexcluindo da igreja.
Na prática, a igreja não expulsa ninguém. Só declara que alguém se excluiu do corpo dos fiéis porque começou a professar uma fé diferente.

Não há margem para a caridade cristã?
O amor é lúcido, corrige quando julga necessário. [O jesuíta espanhol] Jon Sobrino diz: "A teologia nasce do pobre". Roma simplesmente responde: "Não, a fé nasce em Cristo e não pode nascer de outro jeito". Assino embaixo.

Quando o sr. se tornou crítico à Teologia da Libertação?
Desde o início, sempre fui claro sobre a importância de colocar Cristo como o fundamento de toda a teologia. No discurso hegemônico da Teologia da Libertação, no entanto, eu notava que essa fé em Cristo só aparecia em segundo plano. Mas eu reagia de forma condescendente: "Com o tempo, isso vai se acertar". Não se acertou.

"Não é a fé que confere um sentido sobrenatural ou divino à luta. É o inverso que ocorre: esse sentido objetivo e intrínseco confere à fé sua força." Ainda acredita nisso?
Eu abjuro essa frase boba. Foi minha fase rahneriana. [O teólogo alemão] Karl Rahner estava fascinado pelos avanços e valores do mundo moderno e, ao mesmo tempo, via que a modernidade se secularizava cada vez mais.
Rahner não podia aceitar a condenação de um mundo que amava e concebeu a teoria do "cristianismo anônimo": qualquer pessoa que lute pela justiça já é um cristão, mesmo sem acreditar explicitamente em Cristo. Os teólogos da libertação costumam cultivar a mesma admiração ingênua pela modernidade.
O "cristianismo anônimo" constituía uma ótima desculpa para, deixando de lado Cristo, a oração, os sacramentos e a missão, se dedicar à transformação das estruturas sociais. Com o tempo, vi que ele é insustentável por não ter bases suficientes no Evangelho, na grande tradição e no magistério da igreja.

Quando o sr. rompeu com o pensamento de Rahner?
Nos anos 70, o cardeal d. Eugênio Sales retirou minha licença para lecionar teologia na PUC do Rio. O teólogo que assessorava o cardeal, d. Karl Joseph Romer, veio conversar comigo: "Clodovis, acho que nisso você está equivocado. Não basta fazer o bem para ser cristão. A confissão da fé é essencial". Ele estava certo.
Assumi postura mais crítica e vi que, com o rahnerismo, a igreja se tornava absolutamente irrelevante. E não só ela: o próprio Cristo. Deus não precisaria se revelar em Jesus se quisesse simplesmente salvar o homem pela ética e pelo compromisso social.

Bento 16 sepultou os avanços do Concílio Vaticano 2º?
Quem afirma isso acredita que o Concílio Vaticano 2º criou uma nova igreja e rompeu com 2.000 anos de cristianismo. É um equívoco. O papa João 23 foi bem claro ao afirmar que o objetivo era, preservando a substância da fé, reapresentá-la sob roupagens mais oportunas para o homem contemporâneo.
Bento 16 garantiu a fidelidade ao concílio. Ao mesmo tempo, combateu tentativas de secularizar a igreja, porque uma igreja secularizada é irrelevante para a história e para os homens. Torna-se mais um partido, uma ONG.

Mas e a reabilitação da missa em latim? E a tentativa de reabilitação dos tradicionalistas que rejeitaram o Vaticano 2º?
Não podemos esquecer que a condição imposta aos tradicionalistas era exatamente que aceitassem o Vaticano 2º. O catolicismo é, por natureza, inclusivo. Há espaço para quem gosta de latim, para quem não gosta, para todas as tendências políticas e sociais, desde que não se contraponham à fé da igreja.
Quem se opõe a essa abertura manifesta um espírito anticatólico. Vários grupos considerados progressistas caíram nesse sectarismo.

Esses grupos não foram exceção. Bento 16 sofreu dura oposição em todo o pontificado.
A maioria das críticas internas a ele partiu de setores da igreja que se deixaram colonizar pelo espírito da modernidade hegemônica e que não admitem mais a centralidade de Deus na vida. Erigem a opinião pessoal como critério último de verdade e gostariam de decidir os artigos da fé na base do plebiscito.
Tais críticas só expressam a penetração do secularismo moderno nos espaços institucionais da igreja.

Como descreveria a relação de Bento 16 com a modernidade?
É possível identificar um certo pessimismo na sua reflexão. Ele não está só. Há um rio de literatura sobre a crise da modernidade, que remete até mesmo a autores como Nietzsche e Freud. O que ele tem de diferente? Propõe uma saída: a abertura ao transcendente.

Ainda assim, há pessimismo.
Há algo que ele precisaria corrigir: Bento 16 leva a sério demais o secularismo moderno. É uma tendência dos cristãos europeus. Eles esquecem que o secularismo é uma cultura de minorias. São poderosas, hegemônicas, mas ainda assim minorias.
A religião é a opção de 85% da humanidade. Os ateus não passam de 2,5%. Com os agnósticos, não chegam a 15%. Minoria culturalmente importante, sem dúvida: domina o microfone e a caneta, a mídia e a academia. Mas está perdendo o gás. Há um reavivamento do interesse pela espiritualidade entre os jovens.

Que outras críticas o sr. faria a Bento 16?
Ele preferiria resolver problemas teológicos a se debruçar sobre questões administrativas na Cúria. E isso gerou diversos constrangimentos no seu pontificado. Ele também não tem o carisma de um João Paulo 2º. De certa forma, era o esperado em um intelectual como ele.

Não está na hora de a igreja ficar mais próxima da realidade dos fiéis?
Bento 16 não resolveu um problema que se arrasta desde o Concílio Vaticano 2º: a necessidade de se criarem canais para a cúpula escutar e dialogar com as bases.
Os padres nas paróquias muitas vezes ficam prensados entre a letra fria que vem da cúpula e o cotidiano sofrido dos fiéis, que pode envolver dramas como aborto ou divórcio. Note que não sugiro mudanças no ensinamento da igreja. Mas acho que seria mais fácil para as pessoas viverem a doutrina católica se houvesse processos que facilitassem esse diálogo.

Como vê o futuro da igreja?
A modernidade não tem mais nada a dizer ao homem pós-moderno. Quais as ideologias que movem o mundo? Marxismo? Socialismo? Liberalismo? Neoliberalismo? Todas perderam credibilidade. Quem tem algo a dizer? As religiões e, sobretudo no Ocidente, a Igreja Católica.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Hallel Aparecida Internacional



Juventude de Aparecida se mobiliza para evento internacional rumo a JMJ 2013

O Santuário Nacional de Aparecida se prepara para receber em abril de 2013, o Hallel Aparecida 2013 – Internacional. O evento é uma preparação para a 27ª Jornada Mundial da Juventude, que acontece no mês de julho do próximo ano no Rio de Janeiro, e acolherá jovens de todo o mundo na Casa da Mãe Aparecida.

O oportunismo da Teologia da Libertação

A Renúcia de Bento XVI, Sé Vacante e Conclave trazem de volta a figura de teóricos na mídia.
Opinião: Jefferson Souza

Não podemos negar que os fatos ocorridos em fevereiro deixaram todos com os olhos voltados para Roma. Uns com atenção voltada com preocupação, outros com esperança vendo nisso um agir de Deus. Mas há claro aqueles que veem "sua esperança" irem muito além do que a própria Igreja. É o caso dos "teóricos" (prefiro não referir-me a eles desta forma do que como teólogos) da libertação.

Leonardo Boff, Frei Betto e sueus "camaradas" vieram à tona novamente na mídia brasileira e latino-americana com suas ideias revolucionárias. Para eles tudo se resolve com um Papa progressista, mulheres no sacerdócio ( e depois quem sabe uma papisa), queda da obrigatoriedade do celibato clerical na igreja latina e, sobretudo, a relação instituição e povo de Deus.

Vaticano: Começam reuniões gerais de cardeais

Congregações gerais iniciam trabalhos
Por Agência Ecclesia

Os membros do Colégio Cardinalício da Igreja Católica começaram hoje a reunir-se no Vaticano para as reuniões [congregações] gerais que têm lugar após o final do pontificado de Bento XVI, tendo em vista a preparação do próximo Conclave.

O Vaticano anunciou que os encontros se iniciaram esta manhã por decisão do decano, D. Angelo Sodano, que tem funções de presidência, como primeiro entre pares, no Colégio de cardeais.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Último dia do Pontificado de Bento XVI



Na manhã desta quinta-feira, 28, último dia do Pontificado, o Papa Bento XVI se despede oficialmente dos cardeais presentes em Roma. 
Por Jefferson Souza, para Portal Ecclesia

Falando aos prelados, pediu que a Igreja Católica permaneça unida e apoie seu sucessor, e prometeu sua própria obediência incondicional ao próximo pontífice.

"Continuarei próximo a vocês em orações, especialmente nos próximos dias... quando vão eleger o próximo papa a quem hoje eu declaro minha reverência e obediência incondicionais", afirmou o Pontífice. Destacou que também estará em oração unido aos cardeais no conclave que elegerá seu sucessor no trono de São Pedro.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Bento XVI: "Amar a Igreja é ter a coragem de tomar atitudes difíceis"

Na amanhã desta quarta-feira, 27, a Praça de São Pedro, no Vaticano, recebeu cerca de 200mil fiéis para a última audiência geral do pontificado de Bento XVI.
Por Jefferson Souza, para Portal Ecclesia

Peregrinos da diocese de Roma e de várias nacionalidades despediram-se do Papa em um encontro emocionante. O Santo Padre chegou para audiência passeando entre os fiéis passeando pelo Papamóvel acenando para os presentes. Na ocasião, Bento XVI chegou até a receber algumas crianças e os beijou em demonstração de benção e carinho.

Mesmo sem Bento XVI, governo federal tem boas expectativas para JMJ Rio 2013

Para o ministro, com a renúncia de Bento XVI e a eminência do Conclave, a Jornada Mundial da Juventude 2013 configura-se como o primeiro grande evento mundial com a participação do novo Sumo Pontífice da Igreja Católica.
Por Jefferson Souza, para Portal Ecclesia

“O Estado é laico, mas em nada nos tolhe no sentido de entusiasmo, da dedicação, no sentido do esforço para que tudo seja feito da melhor maneira possível” afirmou o Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, nesta terça-feira (26), durante abertura de uma reunião de trabalho preparatória para a jornada, no Palácio do Planalto. 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Vaticano decide sobre títulos de Bento XVI após renúncia

O assessor de imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, esclareceu algumas dúvidas surgidas nos últimos dias após o anúncio de renúcia de Bento XVI. 
Por Jefferson Souza, para Portal Ecclesia
 
Uma delas é sobre como Bento XVI será chamado e de acordo com padre Lombardi, o Papa continuará a chamar-se "Sua Santidade Bento XVI", mas foi escolhido também o título de "Papa Emérito" ou "Romano Pontífice Emérito".

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Vidente de Medjugorje alertou da necessidade de oração por Bento XVI às vésperas de renúncia

Mirjana Dragicevic-Soldo, pediu que se orasse pelo Santo Padre
Por Jefferson Souza - Para Portal Ecclesia

Em visita a Trieste, Itália, a vidente Mirjana Dragicevic-Soldo, pediu que se orasse pelo Santo Padre. Seu apelo aconteceu em 09 de fevereiro, vésperas do anúncio de Bento XVI de que renunciaria ao seu pontificado.

Cerca de 2000 pessoas participavam do evento e respondendo a uma das perguntas que lhes foi feita, Mirjana pediu que “amem a seus sacerdotes, os ajudem, rezem por eles, especialmente pelo nosso Santo Padre. Especialmente ele necessita muito da nossa ajuda nestes tempos que estamos vivendo agora. Nossa ajuda, nossas orações, nosso amor. Não julgamentos”, reforçando a necessidade do Pontífice de orações e apoio dos fiéis.

A "profecia" de São Malaquias

Episódio de Resposta Católica, com Padre Paulo Ricardo.
Por Christo Nihil Praeponere
 
Depois do anúncio da renúncia do Papa Bento XVI no dia 11 de fevereiro, afloraram na imprensa as ditas "Profecias de São Malaquias". Neste episódio do Resposta Católica, Padre Paulo Ricardo, da Arquediocese de Campo Grande, explica o que é e como devemos olhar esta profecia à luz dos tempos atuais entre renúncia, vacância e conclave.